Era noite quieta, lua redonda no chão
O mato esfumegava em minha solidão
O vento trazia um canto sem dono
E o céu brilhou mais que o abandono
No rancho de barro, o silêncio falou
Um clarão nos cerros relampejou
Os bois pararam, os cães calaram
E três figuras da luz chegaram
Vinham serenos, olhar profundo
Como quem entende o coração do mundo
Visitantes do céu, irmãos de além
Trouxeram a paz que o campo tem
Falaram de amor, de compreender
Que tudo é vida a florescer
Sentaram comigo, olharam o fogo
E o tempo parou, ficou
Mas logo disseram: Homem
Tudo é missão, o que se planta volta em ação
Mostraram estrelas, falaram de lá
De mundos distantes a nos inspirar
Disseram que o medo é só véu caído
E o amor é o sol, nunca esquecido
Visitantes do céu, irmãos de além
Trouxeram a paz que o tempo tem
Falaram de amor, de compreender
Que tudo é vida, florescer
O gado dormia, o fogo queimava
E a luz do céu me abençoava
Entendi então no meu sereno chão
Que Deus é imenso em cada canção
Desde aquela noite bendita e sem fim
Levo o céu mateando dentro de mim
E quando o vento sopra o coração
Lembro que o amor é a direção