Ó tu que dizes: Rico sou e de bens me fartei
Andando em vestes de esplendor, perante a tua lei
Mas o Fiel e a Verdade, com olhos de clarão
Vê a nudez oculta sob a capa da ilusão
O Sol de Laodiceia trouxe um brilho enganador
Um tempo de fartura, mas distante do Senhor
Bates à porta o Mensageiro, com o último clamor
Desperta o povo adormecido pelo próprio valor
Compra de Mim o ouro purificado no calor
Colírio para os olhos, cura para a tua dor
Veste as brancas roupas, cobre a tua confusão
Pois fora do Profeta só resta a escuridão
Eis que à porta Eu bato, deixa a Voz entrar
Laodiceia, cega e nua, venha se humilhar!
Nem frio e nem quente, o teu estado é o desdém
A mornidão de um dogma que do Espírito não vem
O anjo da era clama em mistérios revelados
Aponta o caminho para os filhos resgatados
A ciência se aumenta e o orgulho se ergueu
Mas o maná escondido o mundo não conheceu
É tempo de voltar ao Altar do Sacrifício
E abandonar o erro desse século fictício
A sétima trombeta já ecoa no arrebol
Chamando a Noiva eleita para além do pôr do Sol
O que era sombra e tipos, hoje é luz a clarear
O Sétimo Selo o Cordeiro veio desatar
Não te enganes com a forma ou com a vã prosperidade
Pois só a Palavra é o Prumo da Verdade
O trigo está maduro, o Verão já se aproximou
Feliz aquele que na Rocha o seu pé firmou
Sai dela, povo meu, e da sua embriaguez
Não queiras ser provado com a grande estreiteza
Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito nos diz
A Voz que ecoa do deserto, santa e infeliz
Pois Quem prometeu é Fiel para te sustentar
E na Ceia das Bodas o Teu nome irá chamar
Da glória passageira para o Reino do Porvir
Eis a Palavra Viva que nos faz aqui prosseguir
Compra de Mim o ouro purificado no calor
Colírio para os olhos, cura para a tua dor
Veste as brancas roupas, cobre a tua confusão
Pois fora do Profeta só resta a escuridão
Eis que à porta Eu bato, deixa a Voz entrar
Laodiceia, cega e nua, venha se humilhar!