Enrolo a língua
E fico à míngua
Não faço uma frase
Quero de fato
Fazer desse hiato
De novo uma crase
Meus versos são feitos
Em forma de oração
Sem subordinação
Eu sou sujeito
E você, minha predicação
Não leve a mal
Se eu sou radical
Nessa minha ideia
Se você vai embora
O orvalho que chora
É uma prosopopeia
Não meta fora a mim
Desse nosso assunto
Nós somos conjunto
Eu quero ser o seu núcleo
E não adjunto
De qualquer jeito
Eu quero um tempo perfeito
De concordância
Com você a dizer
Vem cá, meu amor
Que hoje é imperativo
Se concretizar este substantivo
Artigo que me definiu
Sem você eu não vivo
Estou com a norma
Mas isto não é forma
De viver feliz
A norma é culta
Mas vê se me escuta
Estou por um triz
Se você fizer questão
Eu lhe peço clemência
Com a máxima urgência
Dentro do meu coração
Você faz a regência