Nunca contei com a sorte
A sorte é quem comigo sempre pôde contar
Pois fui atrás do que quis, larguei tudo por algo maior
Pelo menos era o que eu acreditava
Eu fiz por atitudes, não foram só palavras
De Maresias à Bahia, fui fazendo arte
E naquele tempo eu nem sabia o que era hip-hop
Mas vivi cultura, me apaixonei, eu sou autodidata
E, se a causa é a rua, está bem representada
A solução é a chuva, é só ela que lava
Já fazem vinte luas que ela não volta
Eu vou esquecer, eu juro, mas só o tempo apaga
E o tempo tem um preço, ele não perdoa
É a lei do retorno, o que é bom dura pouco
Na ausência, a despedida, saudade toma conta
Quando o coração sangra, os olhos cantam e os lábios choram
Deixa eu viajar nesse seu devaneio, baby
Eu quero tê-la só pra mim, mas a vida é um labirinto
E eu sei que, lá no fundo, como eu, você apenas quer ser livre
Deixa eu viajar nesse seu devaneio, baby
Eu quero tê-la só pra mim, mas a vida é como um labirinto
E eu sei que, lá no fundo, como eu, você apenas quer ser livre
Na rua que eu me sinto vivo
Submetido a um único vício
O som que ecoa em seus ouvidos
Carrego com meu flow, disparo contra o sol e vou
Viajando na fumaça, jow
Com passos lentos, minha única certeza é o firmamento
As pedras na calçada testemunham meus lamentos
Em direção à quebrada, fortemente me sustento
Pego logo duas paradas, só testando o quanto aguento
Acelero os passos lentos rumo àquele desconhecido
Que vaga em outro tempo, estendendo o ¿braço amigo¿
Com facas nas mãos, tentando me derrubar em vão
Qual é, irmão? Perdeu toda noção?
Sua baixa vibração não altera meu estado
Meu corpo é fechado, rimo tragando um baseado
Evito a encruzilhada, paz nas esquinas e nas quebradas
Sigo a caminhada, cai a madrugada
Quero ir pra casa, mas eu não tenho casa
Deixa eu viajar nesse seu devaneio, baby
Eu quero tê-la só pra mim, mas a vida é como um labirinto
E eu sei que, lá no fundo, como eu, você apenas quer ser livre
Na, na, na, na, na, na, na, yeah
Na, na, na, na, na, na, na
Como eu, você apenas quer ser livre