Ó Ipê-rosa, tu que, tímido, despontas
Chegando aos poucos, como um sopro no ar
Teu véu carmim incendia a alvorada
E acende no peito a vontade de amar
Ipê-branco, flor de calma e de promessa
Tua alvura rompe o cimento cansado
Na esquina muda, és gesto inesperado
Um silêncio que consola e recomeça
Ipê-roxo, ó lira de sombra e lamento
Teu florir é um canto que a dor transfigura
Num respirar natural, o tempo faz-se alento
E a cidade se cala ante a tua formosura
E eis o amarelo, Sol em rebentação
Chega inteiro, tão poderoso
És um grito de alegria
Estampa a terra
Com seu total esplendor (euforia)
Convoca à vida com força e ressurreição
No vão dos dias, entre barulhos e fumaça
Quatro cores brotam, bandeira sem costura
É o canto das árvores na pele dura
O passo vivo que o tempo não desfaça
No pulso da terra, o tempo se revela
Em ramos que rompem as paredes e as estações
São o samba das flores, a voz verdadeira
E a dança eterna de nossas renovações
São o samba das flores, a voz verdadeira
E a dança eterna de nossas renovações