Amarras

Nelson Gonçalves

Vamos, como sombra atormentada
Pelo porto das angústias
Lembro tudo e não sou nada

Sou como meu barco, vagabundo
Que parou acorrentado
Amarrado ao cais profundo

Também amarrado ao meu passado
Sou um barco abandonado
E sinto na carne essas amarras
Como ganchos, como garras

Choro aqueles dias
Que jamais hão de voltar
Lembro a tua boca, que jamais hei de beijar

Sou como meu barco, vagabundo
Que amarrado ao cais profundo
Há de ficar

Aqueles beijos que eu perdi
Quando senti tua cilada
Foram tormentos e tufões
Aos turbilhões, já não sou nada

Só sei dizer que caí
Que penei e que rolei
Ao abismo de um fracasso

Sei que o teu pérfido amor
A zombar da minha dor
Me persegue passo a passo

Hoje que sei que não virás
Vago sem fé
Por este porto

Quero partir, quero fugir
Mas estou morto
Porque viver sem teu amor
Não é viver, mas sim morrer

Vamos, como sombra atormentada
Pelo porto das angústias
Lembro tudo e não sou nada

Sou como meu barco, vagabundo
Que parou acorrentado
Amarrado ao cais profundo

Também amarrado ao meu passado
Sou um barco abandonado
E sinto na carne essas amarras
Como ganchos, como garras

Choro aqueles dias
Que jamais hão de voltar
Lembro a tua boca, que jamais hei de beijar

Sou como meu barco, vagabundo
Que amarrado ao cais profundo
Há de ficar


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