Me disseram: Anda reto, não pergunta demais
Mas as noites são longas quando a alma quer sinais
Se Deus vê cada lágrima caindo pelo chão
Por que o justo sangra tanto sem resposta na oração?
Caim marcou a história, Jó perdeu sem entender
Pedro afundou nas águas, mesmo tentando crer
Se existe um plano escrito antes de eu nascer
Me diga então: Até onde eu posso escolher?
E eu grito contra o vento
Mas o eco vem pra mim
Será que a fé é chama
Ou um fogo perto do fim?
Entre o céu e o silêncio eu tento ouvir Tua voz
No deserto das perguntas, quem responde por nós?
Se o amor vence o medo, por que existe tanta dor?
Eu não quero abandonar, mas também quero entender, Senhor!
Disseram: Bem-aventurados os que não podem ver
Mas Tomé ainda vive em quem precisa compreender
Se Judas tinha um papel dentro da profecia
Onde acaba o destino? Onde nasce a rebeldia?
E se o filho pródigo volta e encontra compaixão
Por que alguns se sentem longe mesmo em oração?
No jardim do Getsêmani, até Jesus chorou
Talvez perguntar demais seja também sinal de amor
E eu caminho na fumaça
Entre culpa e redenção
Quem procura a verdade
Também luta na escuridão
Entre o céu e o silêncio eu tento ouvir Tua voz
No deserto das perguntas, quem responde por nós?
Se o amor vence o medo, por que existe tanta dor?
Eu não quero abandonar, mas também quero entender, Senhor!
Não é revolta, é sede!
Não é fraqueza, é fé!
Quem nunca duvidou do caminho
Nunca sangrou de pé!
Se Jacó sangrou na noite esperando o arrebol
Talvez fé seja insistir, até nascer o Sol
Entre o céu e o silêncio eu ainda busco a luz
Com perguntas nos meus ombros e esperança na cruz
Se Tu conheces meu coração, não me deixes sem calor
Eu não quero só respostas, eu só quero Teu amor!
Talvez a fé não seja nunca deixar de perguntar
Talvez seja continuar, mesmo sem enxergar