O aço brilha, o fogo lambe o carvão
A fumaça sobe, domina todo o galpão
A viola chora um ponteado de aço e fúria
Na batida do surdo que não aceita penúria
Tem picanha no ponto, tem a brasa queimando
O cheiro da carne o instinto vai despertando
Não vem com pouco, eu quero o banquete inteiro
O couro comendo, o tempero é certeiro
O sangue ferve na veia, a alma quer explosão
É peso no pé, é pressão no pulmão
É carne, é peixe, é o fogo do chão
Com a viola no peito e o samba na mão
Essa mulher chega e para o tempo de vez
Numa dança agressiva, com toda altivez
Soul no veneno, samba no pé
Respeita a pegada, mantém a tua fé
Na grelha o peixe estala, o sal grosso batido
Um groove pesado, um som distorcido
Ela cruza o salão com o olhar de pantera
Minha viola responde, o sistema acelera
É soul de raiz misturado com a lama
Onde o samba é o combustível da chama
Sente o peso, sente o calor
Aqui não tem medo, aqui não tem dor
É brasa, é bicho, é força bruta
No meio da roda, o destino se escuta
É carne, é peixe, é o fogo do chão
Com a viola no peito e o samba na mão
Essa mulher chega e para o tempo de vez
Numa dança agressiva, com toda altivez
Soul no veneno, samba no pé
Respeita a pegada, mantém a tua fé
O churrasco é sagrado, o ritual é de aço
Cada nota da viola é um nó no cansaço
Ela gira e o mundo começa a tremer
Nesse soul-samba feito pra te derreter
O suor no rosto, a gordura no dedo
Vivendo a vida sem nenhum segredo
Aquece a brasa (aquece)
Afina a viola (afina)
Carne no fogo, mulher que controla
Soul e samba
Raça e sangue