Dentro de Fortal, Zona Norte e tal
Só olho pra cima, aqui na capital
Olho pros moleque olhando o ideal
Fazem o oposto, mas não por próprio gosto
Gasolina de posto, queimo o teu rosto
Não tô ameaçando, esse é teu imposto
População gritando, vocês admirando
Só quero reparação pelo que nós passamos
Sei, todo dia falo de vocês
Mas se continuar, falo outra vez
Enquanto cês não para, eu não me calo
Não sou hipócrita, eu vou pelo o que falo
2 polícia, 2 pensamento
1 inocente morto por momento
Mil favelados andam lado a lado
Investigando carros pra não acabar enterrado
E eu digo
(Quando cê vai parar?)
Eu não posso falar
Enquanto o tempo passa
Eu não posso parar
Enquanto eu tiver raça
Não posso me calar
Enquanto ainda for braza
Eu não vou parar
Enquanto eu mudar, não me calei
Todo dia mudei, pois sabem que eu sei
Que eu sou alguém
Se eu não fosse nimguém
Não defenderia vocês desse outro alguém
Quem sabe do nosso prato eles comem
Mas, se for do meu, do cuspe eles não fogem
Eu olho pra cima porque eles tão abaixo
E eu não olho no olho De quem nos julga fracos
Sábios e poetas muitos da favela ou das
Quebrada, ao menos pelas área
Enquanto o Estado servir aos nobres
Pobres continuam a fofocar na praça
Vida sem graça, extrair leite de pedra
Droga na praça, não, nunca vendi elas
Mas eu analiso, mentalidade adquiro
Enquanto cês tão vendo, poucos mudam isso
(Quando cê vai parar?)
Eu não posso falar
Enquanto o tempo passa
Eu não posso parar
Enquanto eu tiver raça
Não posso me calar
Enquanto ainda for braza
Eu não vou parar