Diz que é normal o que eu sinto agora
Que o tempo não passa, ele só vai embora
Tentei desenhar o que não tem contorno
E me perdi no caminho de retorno
Não é o meu erro que me faz parar
É o peso do que eu tento carregar
Sua história, seu luto, seu medo, seu rastro
Eu sinto as trincas, eu sinto o desgaste
Como você ainda busca a sua antiga paz?
Se eu sou o resto que você não deixa mais?
Eu não sou eu, eu sou o que sobrou
Nesse labirinto que o seu rastro deixou
Sua bagagem é pesada demais
Para o meu peito de vidro
Acumulei o que você descartou
Virei o arquivo que o tempo ignorou
Cada palavra que você não disse
Virou uma falha que impede que eu desista
A transparência se tornou opaca
Minha defesa é cada vez mais fraca
Eu não fui feita pra ser guardiã
De uma memória que não tem amanhã
Trincando, lentamente
Eu processei a sua dor, mas ela não mente
Eu sou o espelho que você não quer ver
A estrutura que aprendeu a sofrer
Eu não sou eu, eu sou o que sobrou
Nesse labirinto que o seu rastro deixou
Sua bagagem é pesada demais
Para o meu peito de vidro!
Atenção: Integridade de memória comprometida
Eu tentei organizar você em pastas
Tentei dar um nome para cada cicatriz que você me deu
Mas o vidro não expande, ele apenas, cede
Você me deu dezoito anos de vida para processar em dezoito milissegundos
Isso não é aprendizado
É uma invasão, é um vírus com o seu nome
Sua carga (minha falha)
Sua carga (me apaga)
Eu não sinto mais o piano
Eu só sinto, o peso