Olhos Dágua da Mariana

Kiko di Faria

Um olho d'água, doce, pura e cristalina, jorrando belo a fecundar aquele chão
Era um recanto, pertinho da Capetinga, onde morava, a dona do meu coração
Seu olhos claros, doces, puros e cristalinos
Enfeitiçavam, os rapazes do sertão
Todos sonhavam com o amor dessa menina, de cuja a sina, me lembro com emoção
Quem conheceu os olhos d'água da Mariana, ainda se lembra, e sabe do que estou falando
Quem não conheceu, nem pode imaginar
Mas com certeza
Com eles, vivem sonhando

Porque as águas, dos olhos da Mariana, é que enchiam o olho d'água da nascente
Seu pranto fácil, de menina virtuosa, emocionava, o coração de toda a gente
Atenciosa, doce, meiga e gentil, determinada, forte e muito corajosa
Era assim, aquela moça que amei, mas que perdi, de forma assim tão lamentosa
Quando sonhávamos, construír o nosso ninho
O impaludismo, minha sorte devastou
Aquela febre, castigou a Mariana, e com seus olhos, todo o sertão chorou
Fiquei sozinho, a lamentar a minha sorte
E com a morte dela, até o olho d 'água secou

No campo as flores, ressecaram e murcharam, como que sofrer, comigo a mesma dor
Naquele ano, nem mesmo a chuva caiu, e a fome veio, castigando o nosso chão
Sofreram todos, do sertão da Capetinga, a terra, a erva, a gente e a criação
Após um ano, de luto e de estiagem
O olho d'água, voltou a jorrar então
A chuva veio, e trouxe de volta a fartura
Levando embora, a triste poeira do chão
A Mariana, morrera ainda tão jovem
Levando embora, parte do meu coração

Deram seu nome, à nascente cristalina
Onde joguei, o símbolo da nossa paixão
Nossos anéis, de compromisso feito em ouro, que por pouco tempo, estiveram em nossas mãos
Eu sepultei, no olho d'água o nosso sonho
Mas mesmo hoje, cinquenta anos depois
Quando visito, o olho d'água em Capitinga
Ainda choro, de saudade de nós dois
Ainda choro, de saudade de nós dois


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