Que dia! Veja a minha agonia
Nem parecia que ia ser assim
Levantei com pé direito, enchi o peito
Orei ao Pai com todo respeito
E a gratidão fluiu em mim
Mas de repente, deu tudo errado
Faltou na mesa o café e o pão
A mulher saiu cedo, cheia de razão
Inconformada com a situação
Segue a história, o rumo mudou
Indo pro trabalho, o pneu furou
Borracharia a um quilômetro dali
Sem ônibus ou metrô pra eu poder ir
Cheguei atrasado, foi confusão
Patrão botou quente, perdi a razão
A secretária disse: Tenha calma, irmão
Vá direto lá pra produção
O encarregado me olhou de lado
Tome o seu posto, o serviço tá acumulado
Na sexta faltou luz no quarteirão
O negócio aqui não tá fácil, não
A gente se esforça pra viver bem
Mas a coisa é difícil, gasta-se o que não tem
O salário é curto, some na mão
Nada me sobra numa volta no quarteirão
Pra piorar a minha aflição
Na hora do almoço, veio a ligação
A mulher grita: A bolsa rompeu
É o momento, lá vem o Romeu!
É boa a notícia, mas que agonia
Sem um tostão e com o patrão na via
Não é mole, não, é provação
Viver no aperto nessa nação
É um corre-corre, peço liberação
O chefe tá bravo com a produção
Mas tenho que marcar presença
Senão a patroa não perdoa, não
Chego no hospital, Romeu já nasceu
Ô moleque bonito que Deus me deu
Maria exausta, mas com gratidão
Por trazer seu filho pra este mundão
A gente se esforça pra viver bem
Mas a coisa é difícil, gasta-se o que não tem
O salário é curto, some na mão
Nada me sobra numa volta no quarteirão
Lá na firma, o jogo virou
A secretária entre mim e o patrão mediou
Ganhei a licença, que alívio, Senhor
É a vida de luta do trabalhador
O dia termina, a paz me alcança
Além de Maria, Silvia e Conceição
Tem agora o Romeu na nossa herança
Trazendo alegria pro meu coração
Vou me virar nos trinta, o salário é minguado
Vou fazer aplicativo no fim de semana
A barra pesou, tô mais apertado
Adeus ao churrasco e à vida de bacana
Mas sigo com fé, tudo vai melhorar
Deus é meu Pai, uma hora de mim vai lembrar
Viver no Brasil é um esforço total
É pra quem é guerreiro e tá na moral
A gente se esforça pra viver bem
Mas a coisa é difícil, gasta-se o que não tem
O salário é curto, some na mão
Nada me sobra numa volta no quarteirão
A gente se esforça pra viver bem
Mas a coisa é difícil, gasta-se o que não tem
O salário é curto, some na mão
Nada me sobra numa volta no quarteirão