João

Jão

Respondo qualquer coisa
Quando entro num encontro de amigos
E perguntam onde você tá, e eu
Falo que te acometeu doença
Que sua mãe tá na cidade
A verdade é que brigamos ontem, e você
Pegou o carro aos prantos, jurando não me ver mais nunca
Eu minto pras pessoas pois não sei justificar
Nossa loucura para os outros
Amanhã tudo está brando
Mas é um ciclo em que iremos perdurar

Talvez seja hora de abandonar os planos
E nos dar algum descanso definitivo
Trocar por ponto as vírgulas, contar pras famílias
E descartar os nomes que pensamos para os nossos filhos
Maria, Francisco e o seu, que é o meu favorito e que eu dei ao meu irmão
Porta-retratos do futuro vão esmaecendo aos poucos sob essa decisão

Eu só sei te amar tão mal, perdão
Eu só sei te amar tão mal, João


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