Tanque De Bethesda

Hélio Moreira

Em Jerusalém havia
Uma festa tradicional
Onde Jesus subia
Para o culto divinal
Junto à porta das ovelhas
Para pasmo das assembleias
Um tanque havia no chão
Betesda, de cinco alpendres
Onde os cegos e os pretendentes
Esperavam salvação

Muitos enfermos jaziam
Esperando o movimento
Pois anjos desciam e punham
Na água o santo fermento
O primeiro que descesse
Qualquer mal que o acometesse
Ficava são de uma vez
Ali estava um coitado
Trinta e oito anos de lado
Esperando a sua vez

Vendo-o ali deitado
O Mestre lhe perguntou
Tens o corpo maltratado
Queres ser curado, meu ô?
O homem lhe deu a queixa
Não há quem por mim se achega
Pra me pôr no tanque a andar
Sempre desce outro na frente
E eu, coitado e doente
Fico sem me curar

Jesus então lhe ordenou
Levanta-te, pega o leito!
No mesmo instante sarou
Aquele homem de jeito
Tirou a cama do chão
E andou por toda a região
Mas era o sábado então
Disseram os judeus em brasa
É sábado, e em nossa casa
Não levas esse colchão!

Ele respondeu sem medo
Quem me curou disse assim
Pega o leito sem segredo
E anda por ti até o fim!
Perguntaram quem fora o tal
Mas Jesus, no meio animal
Tinha já se retirado
No templo o encontrou depois
E disse, entre tantos bois
Não peques mais, meu amado!

O homem foi e contou
Aos judeus que o curador
Era Jesus que o sarou
Com todo o seu santo amor
E por isso o perseguiam
Pois no sábado faziam
Jesus sofrer tal flagelo
Mas Ele lhes respondeu
Trabalha o Pai que é meu
E eu também trabalho com zelo

Por causa desta palavra
Mais o queriam matar
Pois a ira neles se eleva
Sem o sábado respeitar
Não só quebrava o preceito
Mas dizia com todo o jeito
Ser de Deus o próprio Filho
Igualando-se ao Criador
Mostrando o divino brilho
No mais alto e puro ardor


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