Na Festa da Dedicação, o frio cobria a terra
No alpendre de Salomão, Jesus a multidão cerra
Os líderes o cercaram, querendo a verdade ouvir
Até quando a nossa alma vais, Cristo, assim suspender?
Dize-nos bem claramente, se és o Ungido a vir!
Jesus então lhes responde: Eu já vos disse e não credes
As obras que faço em meu Pai provam quem sou e vedes
Mas vós não sois minhas ovelhas, por isso não dais ouvido
Pois quem é de minha voz conhece o som distinguido
As minhas ovelhas ouvem a minha voz com fervor
Eu bem conheço a cada uma, guio-as com meu amor
Eu lhes dou a vida eterna, e não vão jamais perecer
Da minha mão e do meu Pai ninguém as poderá prender
Pois meu Pai, que me entregou elas, é maior que todo ser
E da mão de meu Pai celeste ninguém as pode colher
Eu e o Pai somos um só, na glória e no poder
Os judeus pegaram pedras para o apedrejar ali
Mas Jesus lhes perguntou: Por qual boa obra que vi
Vós me quereis apedrejar com fúria e tanto furor?
E eles disseram: Não é por obra de teu labor
Mas é pela blasfêmia, pois sendo homem mortal
Te fazes igual a Deus, de maneira descomunal!
Jesus lhes lembrou da lei, citando o salmo sagrado
Não está escrito na lei que sois deuses por mandado?
Se a Palavra chamou deuses a quem ela foi dirigida
E a Escritura sagrada jamais pode ser ferida
Por que dizeis que blasfemo ao vos falar com clareza
Afirmando ser Filho de Deus, com toda pureza?
Se não faço as obras de meu Pai, não me deis fé nem crédito
Mas se as faço, crede nelas, vede o divino enredo!
Para que saibais e creiais que o Pai em mim está unido
E eu no Pai habito sempre, em plano eterno decidido
Procuravam outra vez prendê-lo com ousadia
Mas Ele escapou das mãos que o cerravam nesse dia
Retirou-se além do Jordão, onde João batizara outrora
E ali ficou hospedado, longe da fúria e da hora
Muitos foram ter com Ele, dizendo com precisão
João não fez nenhum milagre, mas tudo em boa razão
Que disse deste homem era a pura verdade e o dom
E muitos ali creram no Mestre e no seu som