Quando a tarde já caía
Descem rumo ao mar profundo
E o barco a cortar a via
No negrume mais segundo
Já de escuro o céu vestia
E Jesus não vinha ainda
Forte vento o mar rugia
Com fúria indômita e linda
Trinta estádios navegados
Eis que o Mestre se apresenta
Sobre as águas, passos dados
O temor a alma atormenta
Mas a voz que acalma e brilha
Diz: Sou eu, não temais nada!
E a tormenta em paz se anilha
Junto à terna e boa amada
Logo o barco em terra brica
Onde o porto os aguardava
E a bonança eterna fica
Onde o Mestre os abrigava