Abalando

Gabriel O Pensador

Gabriel, o Pensador, o homem que eles amam odiar
Agora voltou para, hm, hm, tentar falar
Isso é se ninguém quiser me censurar, me calar
(Manera, rapaz)
(Da última vez eles te tiraram do ar)
Não, eu não consegui acreditar nisso
Mas não vâmo esquecer e nem permanecer omissos num caso que diz respeito ao direito de um cidadão
De carregar no peito a sua liberdade de expressão

Liberdade de expressão aqui? Há
Não existe
Eu fiz hoje, eu tô feliz e fiquei triste
Pois já não posso mais nem sair em paz
Os filhos da puta confundem artistas com marginais
Mas eu não sou um marginal
Isso é um grande erro
Sou apenas um artista como todo brasileiro
E o meu erro foi dizer o que não devia
Acreditei que existia o quê: Democracia

Então eu disse simplesmente o que o povo sente
Mas fui covardemente censurado pelo minha gente
E a vontade que me dá, não me venha perguntar
Eu vou falar
A vontade que me dá é de matar
É uma loucura, ninguém cura esse país se num acabarmos com a censura que me lembra a ditadura militar

Cale-se, cuidado, como é difícil acordar calado
Eles não censuram só o artista
Eles censuram o povão
Pior do que acordar calado é acordar sem o pão
Paiê, cadê o pão? Foi censurado
Paiê, cadê o leite? Foi censurado
Paiê, quê que é carne, hein?
Essa é a censura na panela de um descamisado
Paiê, cadê o ovo? Foi censurado
Paiê, cadê o arroz? Foi censurado, porra
Pai, tem feijão? Não
Toma essa água suja com farinha e num reclama pra num ser processado

E a diversão era um futebol inocente
Quero perder de vez sua cabeça
(Então eu vi um pessoal numa pelada diferente)
(Jogando futebol com a cabeça do presidente)
Cale-se, o povo unido outra vez foi vencido
Pediu pra ouvir meu rap, mas não foi atendido
Ué, mas não existe mais censura no Brasil?
Amigo, vai nessa que tu tá é fodido
E foi só uma cabeça que caiu
Nem demos a primeira, então não vâmo sair de cima, ouviu?

Vem, a gente abala quando quer
A gente abala se quiser

Porque o pensador veio falar do que passou
Eu te digo
Não se lembre do passado e o teu futuro será escuro
Não se esqueça o que passamos há tantos anos
Procure a luz
Mete o dedo na ferida, vive a vida
Limpa o pus
E conduz o pensamento para o tempo que quiser
Fique atento, não se esqueça, a gente abala quando quer

Agora que lembramos um passado recente
Vamos falar do presente
(E daqui pra frente?)
Não vamos nos intimidar
Chega de ser prego
É melhor ser o martelo, rapá
Mas também não pense que o Brasil já foi pra frente
Pois como sempre ele está no mesmo lugar
E sempre estará
Se a gente não se julga inteligente o suficiente pra mudar
Seria melhor se suicidar

Mas na verdade esse momento é de nascimento
(É a hora H) não vamos nos alienar
Olhe pro seu lado e veja como o povo está
A arte é de viver da fé
Só não se sabe fé em quê
E que fé será se não for a fé em nós mesmos
(Isso aí, Pensador)
Get up, stand up, você não veio ao mundo à toa
E se veio fazer algo, faça alguma coisa boa

O que tá errado (tudo)
Deve ser mudado
Abalando as estruturas com o Pensador
(Tô ligado)
Eu tô falando de uma reformulação
Que começa na cabeça e vai passando pelo coração
Se você tem cabeça e coração
Não seja um vegetal
Seja um cidadão

É geração cara pintada?
Não, jovens em geral
Caras pretas, coroas, pessoas, malucos e caretas
(Entrem nessa união)
Não seja um imbecil, meu irmão
Põe a mão na cabeça
Para pra pensar
Nós temos o poder de abalar


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