Rap do Feio

Gabriel O Pensador

Dois irmãos gêmeos, um bonito e um feio
Desde cedo o bonito sacaneava o feioso
Dizendo que ele mais tarde ia trabalhar num rodeio fazer careta pro touro e deixar o bicho nervoso
Cala a boca, pentelho, repondia o feinho
Vai casar com o espelho? Então fica sozinho
E o feio saía sempre fazendo amizade, sem a menor vaidade
Popular na cidade
Na adolescência, malandro, mandava bem nas festinhas
E o bonito bolava se aparecia um espinha
Que espinha nem cravo, meu irmão, não esquenta, eles apagam a luz antes da música lenta

Uh, uh, uh, que beleza

E muito tempo depois, vendo o seu irmão tão lindo e tão mal humorado
O feio, sorrindo, criou um belo ditado
A beleza é passageira, mas feiúra é um bem que a gente tem pra vida inteira
A mulherada gostava, a natureza foi sábia
Ele perdia em boniteza mas ganhava na lábia
Aí, gatinha, chega aí, chega mais perto, Não tema
Eu sou 100% feio, eu sei, qual o problema?
Eu sou feio mas te faço feliz, com palavras gentis
Um papaya com licor de cassis
O feio sabe o que faz, o feio sabe o que diz
Os detalhes sutis, você vai pedir bis
Mais vale um feio maduro que dez galãs infantis
Então pensa num ator, que eu penso numa atriz
Apaga a luz e vem que o amor é cego, meu bem
Abre a porta e vai entrando que eu entro também

Uh, uh, uh, que beleza

É dos feios que elas gostam mais
O feio não vacila, o feio corre atrás
E corre na frente, é valente, chega junto
Um feio inteligente nunca fica sem assunto
Já o bonito é diferente
Confia na beleza e fica meio, diz, displicente
E nesse meio tempo em que o bonito só pensou no visual
O feio se arrumou e ganhou na moral
Na real, o bonito se dá mal geral
Quando é festa, churrasco, pagode ou carnaval
Porque sempre que a mulher acompanhada perde a linha
Só olha pro bonito
Nossa, que gracinha
Mas aí o maridão, que já tá cheio de cana
Junta logo os outros cornos pra juntar o bacana
E se tiver tiro, o bonito é que morre
O corno corre, a mina chora e adivinha quem socorre?
Acertou em cheio quem achou que é o feio
Que executa a mulher do alheio sem tiroteio
E se a própria mulher depois resolve contar
E o marido traído se recusa a acreditar
Quem? Aquele cara ali? Ah, fala sério, se é com ele pode ir

Uh, uh, uh, que beleza
Eu sou feio mas eu faço bonito
E as mulhé dão grito, e as mulhé dão grito
Eu sou feio mas a sorte me escolhe
E as mulhé dão mole, e as mulhé dão mole


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