Eu caminhava no meu Rio de Janeiro quando alguém me parou e falou
Aê parceiro, me dá tua mão que eu quero ver se tá com cheiro
Porque eu sou um cara honesto e detesto maconheiro
Eu tinha acabado de sair do banheiro e dei a mão pra ele cheirar
Mas foi uma cena bisonha
Ele cheirou a minha mão por um tempo e eu disse
Espera, tu não é o Capitão Nascimento?
Que vergonha, meu capitão
Procurando maconha no calçadão
Qual é a tua missão?
Eu vi teu filme mas não me leva a mal
Não me tortura assim não que eu sou um cara legal
Em certas coisas eu concordo contigo
Mas não é assim que você vai achar os grandes bandidos
Esse país tá fodido
Ele falou: Eu sei disso
Quando eu entrei na PM, eu assumi um compromisso, eu luto pela justiça
Eu também
Sem justiça não tem paz e sem paz eu sou refém
A injustiça é cega e a justiça enxerga bem
Mas só quando convém
A lei é do mais forte, no Bope ou na Febem
Na boca ou no Supremo
Que justiça a gente tem, que justiça nós queremos?
Os corruptos cassados?
Nunca serão
Cidadãos bem informados?
Nunca serão
Hospitais bem equipados?
Nunca serão, nunca serão, nunca serão
Os impostos bem usados?
Nunca serão
Os menores educados?
Nunca serão
Todos alfabetizados?
Nunca serão, nunca serão, nunca serão
Capitão, não sei se você soube dessa história
Que rolou num povoado peruano se não me falha a memória
Um político foi morto pelo povo
Um corrupto linchado por um povo que cansou de desrespeito
E resolveu fazer justiça desse jeito
Foi um linchamento, foi um mau exemplo
Foi um mau exemplo mas não deixa de ser um exemplo
Eu sou contra a violência mas aqui a gente peca por excesso de paciência
Com o rouba mas faz dos verdadeiros marginais
Chamados de doutor e vossa excelência
Cujos nomes não preciso dizer
A imprensa publica, mas tudo indica que a justiça não lê
Diz que é cega, mas o lado dos colegas ela sempre vê
Capitão, isso é um serviço pra você
Deputado, pede pra sair
Pede pra sair, deputado
Sabe o que você é? Um moleque, é isso que você é
Senador, pede pra sair
(Desisto)
Mais alto senador
(Desisto)
Vagabundo, cadê o dinheiro que você desviou dessa obra aqui?
(Eu não sei não)
Fala, Vossa Excelência, é melhor falar
(Eu não sei)
Cadê a verba da merenda que sumiu?
02, o corrupto não quer falar não, pode pegar o cabo de vassoura
(Tá bom, eu vou falar, eu vou falar)
Os corruptos cassados?
Nunca serão
Cidadãos bem informados?
Nunca serão
Hospitais bem equipados?
Nunca serão, nunca serão, nunca serão
Os impostos bem usados?
Nunca serão
Os menores educados?
Nunca serão
Todos alfabetizados?
Nunca serão, nunca serão, nunca serão
Conversei com o Nascimento que não pensa como eu penso mas pensando nós chegamos num consenso
Nós somos vítimas da violência estúpida que afeta todo mundo, menos esses vagabundos lá da cúpula corrupta hipócrita e nojenta
Que alimenta a desigualdade e da desigualdade se alimenta
Mantendo essa política perversa
Que joga preto contra branco, pobre contra rico e vice-versa
Pra eles isso é jogo, esse é o jogo
Se morre mais um assaltante ou mais um assaltado, tanto faz
Pra eles não importa, gente viva ou gente morta
É tudo a mesma merda
Os velhos nas portas dos hospitais, as crianças mendigando nos sinais
Pra eles nós somos todos iguais
Operários, empresários e presidiários e policiais
Nós somos os otários ideais
Enquanto a gente sua e morre
Só os bandidos de gravata seguem faturando e descansando em paz
Enquanto esses covardes continuam livres, nós só temos grades
Liberdade já não temos mais
Nunca serão
Nunca serão
Nunca serão, nunca serão, nunca serão
Nunca serão
Nunca serão
Nunca serão, nunca serão, nunca serão
Boa 06, também atirando com o meu fuzil fica fácil, né?
Caveira