Às vezes penso se existia outro caminho
Ou se eu só precisava acreditar que existia
Talvez fosse mais fácil dormir
Se eu pudesse culpar alguém além de mim
Eu ouvi o medo crescendo em silêncio
Vi o orgulho preparando outra despedida
E quando todos esperavam uma escolha
Eu escolhi aquilo que ninguém perdoaria
Não porque fosse certo
Só porque o amanhã precisava existir
Eu sabia o que meu nome se tornaria
Sabia o que diriam quando eu partisse
Há verdades que salvam uma vida
Mas destroem quem precisa escondê-las
Se alguém tiver que ser odiado
Que seja eu
Se alguém tiver que perder o lugar
Para onde deveria voltar
Que seja eu
Que a vila durma sem saber
O preço de continuar
Se alguém tiver que ser odiado
Que seja eu
Depois, passei a viver entre pessoas
Que destruiriam tudo se pudessem
Eu sorria pouco, falava menos
E observava até onde pretendiam chegar
De longe, ainda reconhecia aquela vila
As mesmas ruas, os mesmos telhados
Como se eu nunca tivesse pertencido ali
Como se ainda fosse minha obrigação protegê-la
Talvez essa seja a pior parte
Continuar amando um lugar
Que jamais poderia me receber de volta
Mas havia uma coisa
Que eu nunca consegui colocar na mesma escolha
Você
Podiam levar meu nome
Minha história
O pouco de paz que ainda restava
Mas você precisava continuar
Mesmo que crescesse me odiando
Mesmo que um dia viesse me procurar
Apenas para terminar o que começou naquela noite
Se alguém tiver que ser odiado
Que seja eu
Você não precisava entender
Só precisava viver
Se algum dia descobrir a verdade
Não viva tentando me perdoar
Deixa ele terminar comigo
Se alguém tiver que ser odiado
Que seja eu