Dinda (part. Joel Damasceno)

Daniella Alcarpe

Queria que a verdade fosse como um fruto
Que a gente alcançasse a qualquer minuto
Fosse como um doce
E que terna fosse, que me iluminasse
Como a luz da tarde que o azul me trouxe

Queria que meu barco se fizesse ao largo
Se soltasse ao vento
Que não fosse amargo nem magoasse tanto
Que plantasse auroras de contentamento
Como a paz lá fora apaziguando um canto

Felicidade mora logo atrás do muro
Ali onde os namorados se enrolam no escuro
Ali onde a noite cai dos claros do estrelado
Ali se abre um corpo em fogo ensolarado

Ela se faz de tonta, ele se faz de burro
Meu amor, te amo, meu amor, eu juro
Meu amor, promete, meu amor, me deixa
No final de contas fazem no chão duro

Queria um só momento essa tranquilidade
Que se vê nas folhas balançando ao vento
Quando o vento mexe
Remexendo as flores, sol raiando em cores
No girando gira de algum catavento

Eu só queria dinda um adeus ainda
Das morenas lindas no final da festa
Quando eu for embora
Pra seguir cantando um último chorinho
Dar um abraço em todas pra seguir sozinho

Queria ser alpinista pra escalar teu corpo
E me perder de vista na rosa dos ventos
Eu só queria um dia da tua geografia
Ao sul do teu umbigo depravado e amigo

Ao norte eu colheria em teu pomar os figos
De aplacar meu sonho de acalmar a sanha
E ser o seu amor com muito ardor e manha
Nas manhãs de fogo sobre tuas montanhas

Queria um só momento essa tranquilidade
Que se vê nas folhas balançando ao vento
Quando o vento mexe
Remexendo as flores, sol raiando em cores
No girando gira de algum catavento

Eu só queria dinda um adeus ainda
Das morenas lindas no final da festa
Quando eu for embora
Pra seguir cantando um último chorinho
Dar um abraço em todas pra seguir sozinho


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