O Viajante

Claudio e Marcelo

Um dia a gente olha no espelho
Vê que a vida vai passando e o amor é ilusão
O fio da navalha, o aço fino de um punhal
Cravado até o cabo no coração

Aí a gente sai pelo caminho feito gado em disparada
Num estouro de boiada
Arrebentando as cercas, vadeando os rios
Ferindo sem sentir o peito nos espinhos

A ponta do chicote vai cortando a pele
A lama do caminho salpicando a roupa
A gente vai ficando triste e calejado
Como é que pode amar quem nunca foi amado?

Viajante perdido e sozinho na estrada do amor
Viajante perdido e sozinho na estrada do amor

Um dia a gente vai de encontro ao medo
Da fraqueza tira força, vai à luta e torce o braço do destino
Consegue suportar a fome, a sede
A amargura, o desalento, o desespero e a traição

A vida vai marcando a ferro e fogo
Cada marca no meu rosto é uma ilusão perdida
O homem vira fera, a terra vira um circo
Meu Deus, me ajude a ser o meu próprio domador


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