Foi no banco da pracinha
Daquela cidadezinha
Com um copinho de café
Vendo o entardecer do dia clarear
A igrejinha sobre ela esplandecer
Essa é a sina do velhinho
Sentado no banquinho
Sempre ao entardecer
Ouvia o cantar dos sinos
Ponteando vagarinho
O rosário percorrer
Cada conta é uma rosa
Ponteada como uma viola
Para a Mãe agradecer
Foi lá em Nova Veneza
O velhinho segue do levante ao entardecer
Dos pardais aos bem-te-vis
E o canto dos juritis
Entoam sua oração
De frente a igrejinha
No seu lado eles comiam
Com o terço em suas mãos
A cada tocar dos sinos
Na aragem a convidar
Ele ali com seu tercinho
Vendo passos se ajuntar
Debaixo de uma figueira
Viu pessoas se abraçar
Entre a brisa e a poeira
A igreja a caminhar
Cada conta é uma rosa
Ponteada como uma viola
Para a Mãe agradecer
Foi lá em Nova Veneza
O velhinho segue do levante ao entardecer
Essa era a sina do velhinho
Que, sentado no banquinho
Sempre ao entardecer
Rezava bem baixinho
Ao som dos passarinhos
Bem ao lado de um Ipê
A cada conta que passa
Via a fonte a jorrar
E uma ponte de madeira
Arqueada vislumbrar
Nelas cantam os passarinhos
Vendo peixes a nadar
O moinho bate forte
Faz os pássaros voar
Cada conta é uma rosa
Ponteada como uma viola
Para a Mãe agradecer
Foi lá em Nova Veneza
O velhinho segue do levante ao entardecer
A pracinha da matriz
Tem quermesse e procissão
Acolhe toda a cidade
Com amor no coração
E assim vai terminando
O tercinho a rezar
Com os gritos das crianças
No parque a brincar
Na hora da Ave Maria
Contemplou o seu estar
Agora seguiu caminho
A igreja vai entrar