Tubarões Voadores

Astrikos Katoikos

Cruzam o céu sem testemunha
Ninguém consegue derrubar
Nunca descem nos palácios
Sempre procuram um pobre pra devorar

Sobrevoam as marquises frias
Velhos, crianças e miseráveis pelo chão
Cada sombra alada ganha dentes
Cada voo é uma execução

Olha pra cima
Ninguém mais se engana
Eles nunca escolhem
Quem tem muita grana

Tubarões voadores
Fome sem pudor
Caçam quem não tem
Nem cobertor

Tubarões voadores
Não caçam de veneta
Mordem seu salário
Engolem quem dorme na sarjeta

Devoram fila de hospital
Aposentado, camelĂ´
Catador de madrugada
Quem dorme alojado no metrĂ´

Devoraram o barraco
A marmita e o sofredor
Deixam bancos intactos
Protegidos pelo horror

Nunca mordem os ministros
Nunca os donos do cifrĂŁo
Sempre acham o sem-teto
Sempre mastigam o peĂŁo

Tubarões voadores
Fome sem pudor
Caçam quem não tem
Nem cobertor

Tubarões voadores
Bichos da inversĂŁo
Sempre poupam o ricaço
Sempre protegem o patrĂŁo

Quando alguém pergunta
De onde vieram essas coisas
As barbatanas cruzam nuvens
Disfarçadas de nobres pessoas

Quem fabrica esses monstros?
Quem lhes deu a criação?
Cada dente leva escrito
Lucro, medo e exclusĂŁo

Olha pra cima
Já vêm outra vez
Enquanto houver miséria
Eles terĂŁo freguĂŞs

Cuidado
Cuidado

Tubarões voadores
Oi, oi, oi, oi
Tubarões voadores
Oi, oi, oi, oi
Se o pobre desaparecer
Quem eles vĂŁo comer?
Se o pobre desaparecer
Quem eles vĂŁo comer?


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