Debaixo do arco das estradas, muito antes do primeiro dia
Já guardava os descaminhos que a soberba desconhecia
Viu impérios desabando sob desmandos e devoções
E a voracidade do orgulho consumindo gerações
Conheceu velhas alcovas onde a lágrima era paga
E o soluço das viúvas sob a luz de pobre adaga
Cada porta malcerrada, cada injusta punição
Fez do tempo seu arquivo e da vigília sua missão
Junto às pedras esquecidas, junto aos muros da cidade
Acolheu os que perderam casa, rumo e identidade
Nunca exibiu falsa glória ou ofereceu ilusão
Pois conhece cada queda que habita um coração
Exu das sete encruzilhadas
Traz consigo o peso antigo das estradas sem cessar
Leva a sabedoria que acompanha quem precisa caminhar
Sob a capa das madrugadas, segue atento à aflição
Onde a treva se adensa, nasce a justa direção
Pelas vielas esquecidas dos antigos maltratos
Viu meninos sem futuro carregando os próprios fardos
E mulheres perseguidas pela injúria e pela dor
Procurando algum abrigo contra o mundo acusador
Cada lágrima recolhe sem promessas de ocasião
Pois conhece quanto custa sustentar a retidão
Não habita os grandes tronos nem cortejos de esplendor
Mas prefere a compania dos vencidos pela dor
Quando sopra o vento agreste sobre a pedra do caminho
Faz do fardo mais pesado menos áspero e sozinho
E concede aos peregrinos que carregam provação
A coragem necessária diante da transformação
Exu das sete encruzilhadas
Traz consigo o peso antigo das estradas sem cessar
Leva a sabedoria que acompanha quem precisa caminhar
Sob a capa das madrugadas, segue atento à aflição
Onde a treva se adensa, nasce a justa direção
Nas antigas encruzilhadas permanece em sentinela
Com o brilho das fogueiras que iluminam cada vela
Nem castiga por arrogância, nem concede distinção
Cada movimento encontra sempre sua justa proporção
Quem carrega antiga mágoa encontra abrigo em sua lei
Quem enfrenta o próprio erro compreende porque ele é o rei
Com conhecimento e liderança, junto ao fogo ritual
Permanece testemunha do eterno mistério universal
Exu das sete encruzilhadas
Traz consigo o peso antigo das estradas sem cessar
Leva a chama que acompanha quem precisa caminhar
Sob a capa das madrugadas, segue atento à aflição
Onde a treva se adensa
Salve
Salve
O rei é mojubá
Laroyê senhor das sete encruzilhadas