No alpendre, a tarde toma assento
Bule antigo sobre a mesa
Dona Benta abre um volume
Como quem semeia alguma surpresa
Cada página devolve
Séculos à luz do dia
O quintal recebe Homero
Com a mesma cortesia
Emília desafia o mundo
Sem espada nem canhão
Uma réplica bem posta
Desmonta qualquer opinião
O Visconde, paciente artífice
Coloca a lente sobre o grão
Vê galáxias refletidas
Na modéstia de um sabão
Sítio do Picapau Amarelo
Casa feita de pensar
Onde a felicidade vence o medo
E toda história vem nos encantar
Sítio do Picapau Amarelo
Berço livre da invenção
Toda infância ali descobre
Novas mil formas de visão
Tia Nastácia sopra o forno
Milho, broa, caldeirão
Cada cheiro traz de volta
Outra antiga geração
Narizinho segue o córrego
Pedrinho prefere o sertão
Cada passo vale mais
Que uma longa explicação
Saci Pererê muda o rumo das folhas
Num assobio repentista
A Cuca vigia a mata inteira
Com prudência de magista
Lá, ninguém compra maravilhas
Nem as vende por vintém
Basta abrir a velha porteira
Todo o restante o livro tem
Sítio do Picapau Amarelo
Casa feita de pensar
Onde a felicidade vence o medo
E toda história vem nos encantar
Sítio do Picapau Amarelo
Berço livre da invenção
Toda infância ali descobre
Novas mil formas de visão
Marmelada de banana
Bananada de goiaba
Goiabada de marmelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Boneca de pano é gente
Sabugo de milho é gente
O Sol nascente é tão belo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Rios de prata pirata
Voo sideral na mata
Universo paralelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
No país da fantasia
Num estado de euforia
Cidade Polichinelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Picapau Amarelo
Nunca coube num lugar
Cabe inteiro na memória
De quem sabe imaginar
Quando a noite fecha as janelas
Não acaba aquela reunião
Toda história muda de dono
Na próxima fabulosa narração
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo
Sítio do Pica-Pau Amarelo