Rato, velho companheiro
Te encontrei junto ao porão
Com o focinho ensanguentado
E tremendo de aflição
Te escondi numa gaveta
Longe de qualquer perseguição
Amigo Rato, filho da calçada
Ninguém canta seu valor
Todo mundo te condena
Sem conhecer sua dor
Você conhece cada fresta
Cada resto, cada odor
Amigo Rato
Pequeno rei do desvão
Toda fresta guarda um mundo
Toda noite, uma canção
Amigo Rato
Vento cinza do quintal
Seu caminho nunca acaba
Seu destino é sem igual
Se ninguém te dá abrigo
Minha porta se abriu
Leite, queijo, pão mofado
Tudo aqui se repartiu
Mas seu reino é bem mais vasto
Do que o lugar que te pariu
Quando a casa adormece
Sua ronda vai começar
Cada sombra vira estrada
Cada canto é seu lugar
Quem te chama de desgraça
Nunca soube te observar
Amigo Rato
Pequeno rei do desvão
Toda fresta guarda um mundo
Toda noite, uma canção
Amigo Rato
Vento cinza do quintal
Seu caminho nunca acaba
Seu destino é sem igual
Vai embora, meu amigo
Leva a noite no olhar
Há celeiros e ruínas
Muito mundo pra explorar
Onde o homem deixa sobras
Você tem motivo pra voltar
Nem reconhecimento, nem aplauso
Nem consideração vai ganhar
Mas resiste desde sempre
Sem pedir, sem implorar
Rato, velho companheiro
Volta um dia pra cantar
Amigo Rato
Pequeno rei do desvão
Toda fresta guarda um mundo
Toda noite, uma canção
Amigo Rato
Vento cinza do quintal
Seu caminho nunca acaba
Seu destino é sem igual