Não houve berço para minha origem
Nem genealogia a registrar
A própria desmedida do princípio
Aceitou meu poder sem hesitar
Os códices mudam de caligrafia
Os tronos sucumbem à sucessão
Eu assisto a cada liturgia
Como quem observa encenação
Samurai Jack!
Outra investida?
Outra expedição?
Magnífico delírio
Admirável vocação
Sua lâmina proclama
Eterna oposição
Meu riso recompensa
Tamanha determinação
Revisto-me de escamas
De penhasco, vendaval
Assumo qualquer aspecto
Sem alterar meu essencial
Aquilo que contemplam
É simples imagem
Jamais minha substância
Jamais minha linhagem
Nenhum oráculo me define
Nenhum tratado me conclui
Todo conceito vacila
Quando minha presença flui
Chamam-me demônio
Chamam-me soberano
Nenhum vocábulo comporta
O alcance do meu plano
Confesso, samurai
Há mérito em sua insistência
Séculos não dissolveram
Essa singular persistência
Fracassa
E regressa
Recua
E retorna
Transformou a derrota
Na mais refinada ciência
Samurai Jack!
Prossegue!
Não modere o fervor
Sem sua insolência
Empobrece meu humor
Cada duelo renova
Meu régio esplendor
É o único adversário
Digno de meu favor
Quando a derradeira página
Dispensar o escriba
Quando a memória
Renunciar da própria noção
Restará uma pergunta
Sem qualquer solução
Quem sustentou o espetáculo?
A espada de Jack
Ou Abu?
Eis a questão!