Nas ladeiras da Bahia, o branco do rendado
Viu chegar tanta aflição de um destino maltratado
Cada rosto traz consigo uma história por dizer
E ela oferta calmaria para quem precisa renascer
Conheceu velhas carpideiras consumidas pela idade
E meninos esquecidos nos desvãos da grande cidade
Nunca questionou quem eram, nem julgou qualquer pesar
Pois sabia que há feridas que só pedem um olhar
Mãe Menininha do Gantois
Guarda antigas águas do mistério ancestral
Cada bênção distribuída vence o peso temporal
Nas contas do seu peito mora um tempo sem medida
Feito abrigo para tantos nos caminhos desta vida
Quando o medo visitava tantas portas da nação
Era a luz de sua escuta dissipando a aflição
Políticos, artistas e operários recebiam igual amparo
Pois sua alma sabia o quanto o amor é raro
Seu terreiro foi um porto para a dor e a esperança
Onde o tempo se aquietava na pureza da confiança
Cada prece recebida encontrava acolhimento
Feito chuva sobre a terra no mais árido momento
Mãe Menininha do Gantois
Guarda antigas águas do mistério ancestral
Cada bênção distribuída vence o peso temporal
Nas contas do seu peito mora um tempo sem medida
Feito abrigo para tantos nos caminhos desta vida
Quando parte uma anciã justa, nada parte por inteiro
Sempre fica em cada canto do sagrado brasileiro
Seu legado segue vivo na memória do axé
Feito flor que desabrocha onde o povo mantém a fé
Quem adentra seu jardim ainda encontra companhia
Há doçura em sua presença, há grandeza e cortesia
E nas noites da Bahia, junto ao toque do ilu
Mãe Menininha continua abençoando o céu azul
Mãe Menininha do Gantois
Guarda antigas águas do mistério ancestral
Cada bênção distribuída vence o peso temporal
Nas contas do seu peito mora um tempo sem medida
Feito abrigo para tantos nos caminhos desta vida