Construída sobre ossos, a metrópole acorda
Tentáculos de asfalto sufocam a orla
Os prédios são garras arranhando o firmamento
O líquido do esgoto é o seu próprio excremento
A massa humana se move em sincronia
Alimentando a fera com sua agonia
Não é mais uma crise de habitação
É o despertar de um Deus da destruição
Cthulhu de pedra
Monstro ancestral
A grande metrópole
É o horror terminal
Devora as mentes
Digere o pedestre
O pesadelo urbano
É o senhor terrestre
O metrô sub-terrâneo é o seu intestino
Engole milhões, cospe um mesmo destino
Olhares vazios na plataforma escura
A perda da mente, a total loucura
Ciclópea, profana, colosso de aço
Que esmaga os corpos e rouba o espaço
Nenhum sacrifício sacia essa fome
A besta de concreto te domina e te consome
Cthulhu de pedra
Monstro ancestral
A grande metrópole
É o horror terminal
Devora as mentes
Digere o pedestre
O pesadelo urbano
É o senhor terrestre
Das profundezas do trânsito travado
O grito de desespero é escutado
Não há para onde fugir ou correr
Nascemos na besta apenas pra morrer
Cthulhu urbano, monstro sem face
Quem dera se o mundo acabasse
Engolidos por essa civilização
Enterrados a sete palmos no chão
Nosso destino é uma determinação
Não importa nossa força de decisão
Loucura demais
Angústia demais
O horror
O horror
Cthulhu de pedra
Monstro ancestral
A grande metrópole
É o horror terminal
Devora as mentes
Digere o pedestre
O pesadelo urbano
É o senhor terrestre