Toda riqueza exige uma miséria
Um cálculo frio, uma renúncia total
A mesa farta nasce de disputa
Entre escassez, desejo e capital
A safra conhece praga, seca e dívida
O porto conhece descaso e tributação
Quem compra barato celebra a vitória
Quem vende barato conhece a exploração
O preço não nasce puro nem neutro
Traz contrato, ameaça e tradição
A moeda circula feito sentença
Mudando destinos de repartição
No livro-caixa de cada império
Há festa, saque, crédito e traição
A bolsa anuncia prosperidade
Mas cobra pesado tributo da população
Ciência da fome
Faca limpa sobre a mesa!
Toda abundância guarda violência presa
Ciência da fome
Cifra, ambição, mercadoria!
Nenhuma riqueza admite sua vilania
O mercado promete equilíbrio
Mas sangra quando explode a usurpação
A fome não cabe dentro da estatística
Nem a pobreza aceita consolação
Cada progresso impõe sacrifício
Cada fortuna inventa explicação
A dívida entra pela madrugada
E promove um mundo de degradação
Não há teoria sem cadáver oculto
Não há riqueza sem contradição
Quem chama virtude à própria cobiça
Vende moral por acumulação
Ciência da fome
Faca limpa sobre a mesa!
Toda abundância guarda violência presa
Ciência da fome
Cifra, ambição, mercadoria!
Nenhuma riqueza admite sua vilania
Toda riqueza exige uma miséria
Um cálculo frio, uma renúncia total
A mesa farta nasce de disputa
Entre escassez, desejo e capital