Vestiram séculos com dogmas antigos
Carimbaram verdades em cada edital
Toda discordância virou delito
Toda complacência recebeu aval
Palimpsestos guardaram batalhas
Que o pergaminho jamais sepultou
Cada sofisma troca de máscara
Mas a falácia nunca mudou
Anátema! Contra o coro oficial!
Iconoclastia intelectual!
Nenhum axioma permanecerá como convicção
Tudo responde perante o tribunal da razão
A ágora conhece vozes difíceis
Que nenhum escriba conseguiu domar
O códice sobrevive ao carrasco
Porque o argumento sabe refutar
Exegeses mudam de roupa
Cada tratado busca sucessor
O tempo absolve muitas farsas
Mas nunca coroa o impostor
Anátema! Contra o coro oficial!
Iconoclastia intelectual!
Nenhum axioma permanecerá como convicção
Tudo responde perante o tribunal da razão
Diatribes cortam mais fundo
Que qualquer decreto senatorial
A aporia caçoa das certezas
Como um ácido conceitual
As válvulas berram sem reverência
O amplificador desafia o ritual
O rock também conhece Aristóteles
Sem perder seu impacto visceral
Anátema! Nenhum trono é final!
Iconoclastia intelectual!
Quando a crítica ocupa o compasso
Toda impostura perde o pedestal
Anátema
Anátema