O homem moderno emula a condenação de Sísifo
Rolando o patrimônio ladeira acima, no cristal líquido
Procura o velocino de ouro em um algoritmo
Ignorando que o labirinto foi construído para o seu declínio
O que antes era o vício no pano verde de Macau
Hoje é a usura camuflada em interface digital
Eis que a Deusa Fortuna, com sua roda volúvel e profana
Cativa os incautos com a promessa da ascensão humana
A massa abdica da inteligência e da prudência estoica
Submetendo o suor do labor a uma probabilidade heroica
O bufão da corte, travestido de influenciador nas plataformas
Arrasta a plebe ao abismo onde não há escapatórias
A sorte foi lançada ao vento
Trocaram a razão pelo ouro do momento
O Império das Bets cobra o preço da ganância
Lucro para o algoritmo, para o sujeito sobra a ignorância
Das ruínas da pólis ao topo do aplicativo
A banca sempre vence o apostador cativo
Não há sofismo que oculte o colapso desta época decadente
Onde o comércio fenece e o capital evapora rapidamente
Famílias inteiras dilapidam o espólio de gerações
Em troca de promessas efêmeras e falsas celebrações
A economia de Adam Smith rende-se à jogatina predatória
Escrevendo com tintas de dívidas uma trágica história
O imperador deste império invisível não usa coroa de louros
Ele opera em servidores distantes, acumulando os tesouros
Resta ao apostador a melancolia dos derrotados de outrora
A perceber, tardiamente, que a sorte não o condecora
Inevitavelmente a banca recolhe o dízimo da ignorância
E o homem retorna à sua rotina, agora desprovido de substância
A sorte foi lançada ao vento
Trocaram a razão pelo ouro do momento
O Império das Bets cobra o preço da ganância
Lucro para o algoritmo, para o sujeito sobra a ignorância
Das ruínas da pólis ao topo do aplicativo
A banca sempre vence o apostador cativo
E vem a dívida
E vem a ruína
E vem a miséria
E vem a falta