Batida vem de longe, o peito marcando o tempo
Sintetizador chorando, neon cortando o vento
Tudo quebra pra nascer de novo
Caminhei tanto tempo com sapatos trocados
Tentando caber em caminhos que nunca foram meus
Construí castelos altos com tijolos emprestados
E perdi meu reflexo no peso dos adeus
Fingia equilíbrio enquanto afundava devagar
Sorrindo pra não deixar ninguém me desmontar
A máscara era linda, mas não respirava
O figurino perfeito, mas a alma apertava
E eu já não cabia em mim
Vou quebrar a casca de vidro, deixar o ar entrar
Vou sofrer dançando na pista, mas não vou parar
Não é sobre onde eu chego, é sobre o que sobrou
Nesse silêncio da balada, o meu eu se encontrou
Casca estilhaçada, brilho espalhado no escuro
Chorando e sorrindo enquanto reconstruo o futuro
As vozes lá fora viraram ruído distante
Aprendi que meu peito também sabe ser gigante
O medo de existir, que antes me consumia
Hoje é combustível pra minha travessia
Não preciso de aplauso pra saber quem eu sou
Eu sou raiz, tempestade, o jardim que floresceu
E ninguém mais apaga minha luz
E se o mundo estranhar minha nova versão
É porque eu parei de pedir permissão
A estrada é longa e o mapa eu deixei queimar
Porque foi me perdendo que eu aprendi a me encontrar
Livre
Vou quebrar a casca de vidro, deixar o ar entrar
Vou sofrer dançando na pista, mas não vou parar
Não é sobre onde eu chego, é sobre o que sobrou
Nesse silêncio da balada, o meu eu se encontrou
Casca estilhaçada, brilhando pelo chão
Cada corte virou parte da reconstrução
Vou sofrer dançando até nascer de novo
Vou sofrer dançando, deixar o ar entrar
Casca de vidro refletindo a luz do lugar
Entre o gole e o passo, meu coração ruiu
Mas no reflexo do chão
Um novo eu surgiu