Eu olho pro mar
E parece que ele sabe
Tudo aquilo que eu tentei esconder
Oscilações no mar, cercado de tubarões
Eu levanto e caio, me espalho aos pedaços
Por onde eu deixei uma parte de mim?
Será que ainda dá pra reconstruir?
Ou vai ser sempre assim?
Um pouco inteiro, um pouco quebrado
Procurando no que ficou pra trás
O pedaço de mim que eu tinha deixado
Vieram temporais
O que foi que você arrastou?
Qual parte da minha vida
Foi você quem levou?
Eu limpo toda essa enchente
Mas pouco depois vem mais
Eu já não sei se isso é um caos
Ou se eu só procuro um cais
Caos
Ou cais?
Azul da cor do mar
Mas eu me tornei daltônico
Já não consigo distinguir
O que é real do que é sonho
Azul da cor do mar
E mesmo assim tudo é cinza
Até as cores mais fortes
Perderam a força dentro de mim
Tudo é cinza
Tudo é cinza
Aquarela sem cor
Uma linha perdida no arco-íris
Procurei respostas no vento
Mas ele não trouxe meus amores
Segui procurando o horizonte
Achando que encontraria algum sinal
No lugar do pote de ouro
Encontrei a verdade no final
A realidade nua e crua
Que eu sempre tentei não enxergar
Às vezes a gente pinta esperança
Só pra não precisar aceitar
Talvez o problema não seja o mar
Talvez eu tenha esquecido de nadar
Talvez eu esteja procurando um porto
Quando só precisava aprender a voltar
Se a tempestade não passa
Eu vou aprender a atravessar
Azul da cor do mar
Mas eu me tornei daltônico
Já não consigo distinguir
O que é real do que é sonho
Azul da cor do mar
E mesmo assim tudo é cinza
Até as cores mais fortes
Perderam a força dentro de mim
Mas se ainda existe um cais
Depois de tantos temporais
Talvez eu encontre em mim
A cor que eu perdi lá atrás
Caos
Ou cais?