Elegem o incêndio pra apagar a casa
Elegem o lobo pra cuidar do rebanho
Prometem ordem e entregam mordaça
Prometem povo e entregam tamanho
A democracia não morre de bala
Ela morre de aplauso e silêncio
Morre de gente que troca a sala
Por um líder que promete alívio
Democracia em cinzas
Queimada a voto, não a fogo
Quem acendeu o pavio foi escolhido
Por quem tinha medo do próprio jogo
Chamam de fraqueza o que é cuidado
Chamam de força o que é covardia
Viram história pra trás, de propósito
Enquanto o futuro perde o fio do dia
Não foi o destino
Foi escolha, foi omissão
Foi cada voto no medo
E cada silêncio na multidão
Democracia em cinzas
Mas cinza também é semente
Se plantamos memória e coragem
Isso aqui ainda cresce diferente
Cinzas não são fim
Cinzas são aviso